12 de mai. de 2008

De almas unas



A vida reserva surpresas pra gente. A melhor delas são pessoas que nunca imaginávamos que existiam, e quando encontramos percebemos que, de uma forma misteriosa e precisa, estamos encerrados nelas. Assim mesmo: conhecemos e nos reconhecemos ali, no outro impensado.

Eu posso dizer que tenho esta sorte, com almas tão doces que me são um paraíso.

São Paulo trouxe mais pérolas ao meu fio, e uma de esplendor ímpar...

Esta semana fez um ano que gozo da companhia na jornada de um amigo assim. Palavras são frágeis para comportar todo o significado que ele tem para mim: mais que amante, mais amigo, mais que irmão, ele é um espelho dual, uma imagem melhorada e piorada de mim, um lugar inacessivelmente próximo, onde me deleito, me perco, sorrio.

Ele me puxa para cima, com mais força do que a subida da casa dele pro metrô, e me faz querer ser melhor.

Ele me faz rir, de mim, de nós, da vida.

Ele me faz pensar, refletir, me ajuda a construir rumos, a explorar possibilidades, a desbravar o universo.

Ele me fez redescobrir o menino que julgava sepulto em mim, e junto com sua própria criança, me fez sorrir das coisas inúteis aos adultos, invisíveis para mim já há tanto tempo.

Gosto dele, da sua presença, da sua companhia, do nosso papo sem fim, vazio de conteúdos formais e cheio de entusiasmo pelo vibrar dos nossos corações vãos...

Amo este amigo. E, por onde quer que eu vá, o trarei sempre comigo, gravado. Afinal, somos um, fomos re-unidos pela ironia sem fim deste caos cósmico, e distâncias são nada perto da conexão que criamos.

Ele sofre, e me dói também... mas dizem que a dor é o melhor combustível para escritores... por isso, hoje resolvi escrever sobre ele. Sofro com ele, sofro nele... Mas sei que do mesmo veio donde corre esta dor de agora, jorra sem fim um amor que nos enche sempre de alegria, de entusiasmo e de certeza: certeza de sermos companheiros infalíveis na jornada que estamos empreendendo nesta vida.

Palavras são falhas, gastas, mas às vezes merecem ser ditas como se fosse a primeira vez, como se as tivéssemos criado. E digo com a audácia que nossa história me ensinou: Bruno, te amo. Minha vida é incomparavelmente melhor com você me atazanando.