28 de nov. de 2007

Para abrir a mente...




Faço questão de interromper o jejum de post's devido ao final de semstre para divulgar o blog de Sir Reifisson: CultMix, dedicado à filmografia GLBT.

Tem coisas inimagináveis! Pince uma e delicie-se!

http://cultmix.wordpress.com/

Bises.

17 de nov. de 2007

La Môme

Alguns percalços, mas tudo bem...
Eita semaninha!

Estou in love pelo cinema:
Piaf ressuscitou em mim essa paixão, e estou cultivando-a no Festival Mix Brasil.
Como adoro o escuro e o silêncio de antes do início da projeção: o desvelar-me para acolher aquela película, sua história, suas cores, sua música...
Queria poder ser mais assíduo nesta paixão.



Recomendo vivamente o filme da Piaf: vá e leve caixinha de lenços!

Bises

11 de nov. de 2007

Vamos lá?

Após um exílio não premeditado, volto.
Volto ao embaraço de expor, de comunicar, de tentar fazer-me entender (primeiro por mim mesmo...).
Mas vamos com calma com o andor, porque o santo é de barro...
Rsrs

Há muita coisa borbulhando dentro de mim, e como sou uma negação em sínteses (próprias), recomeço indicando um livrinho que me foi indicado pelo Poetinha Vinhal: "Ficções" do Joge Luis Borges. Especialmente os contos "O Jardim dos Caminho que Bifurcam", e "A Biblioteca de Babel", que me encantou. Estou lendo contos, homeopaticamete, por causa da faculdade... Sim, voltei aos meandros do estudo jurídico, com todo orgulho e babaquice de um típico mackenzista.

Direito MACK - Louco!!!!



Até!

29 de mai. de 2007

Psicodrama



Cada vez mais adoro fazer terapia.

23 de mai. de 2007

Hilda Hilst

Cantares de Perda e Predileção
de Hilda Hilst

Eu amo Aquele que caminha
Antes do meu passo
É Deus e resiste.

Eu amo a minha morada
A Terra triste.
É sofrida e finita
E sobrevive.

Eu amo o Homem-luz
Que há em mim.
É poeira e paixão
E acredita.
Amo-te, meu ódio-amor
Animal-Vida.
És caça e perseguidor
E recriaste a Poesia
Na minha Casa.
- - - - - - - - - - - - - - - - -
Descobri Hilda Hilst por acaso nestes últimos dias e estou extasiado...
Que repleta, que completa, que definitiva... Até bíblica!

Não parei de me surpreender com a poesia dela desde então.
Recomendo vivamente: areje sua alma!
Bises
!

10 de mai. de 2007

Essa ternura fingida...

Eu nego. Nunca admitiria tal coisa. Veja só! Pensar que em sã consciência eu ataria minha própria mãe e sairia feliz para a vida, deixando-a lá, à mercê do bem querer divino?
Loucos é o que vocês todos são, todos vocês!
Não conseguem nem imaginar a tortura que me acomete a cada vez que relembro a minha chegada em casa, quando achei mamãe naquele estado, naquele aspecto. Quando chamava por ela sem resposta, já estranhando a casa sem movimentos, perpassou-me um calafrio de pressentimento ruim, que na mesma hora, como todos vocês sabem ser meu costume, comecei a apegar-me à Virgem... Não vi nenhuma das negrinhas da casa, vocês todos fora, só o olhar de papai a se compadecer de mim na pintura da sala. Fui subindo e quando entrei em seu quarto e a vi por detrás, os gatos a escalar-lhe as espáduas, as mãos, oh Senhor Piedoso, as mãos! Desculpem-me. Mas é que estavam rictas, cinzentas, as unhas lascadas de arranhar o encosto de jacarandá, os pulsos roxos sob as cordas. Desfaleci, mas amparada pela Virgem contive-me e corri a gritar-lhe: Mamãe! Mamãe! Sabem todos que só a deixei depois que Everardo chegou. O bom cristão ajudou-me a colocá-la em seu leito enquanto as negrinhas correram a chamar Doutor Serrado e a vocês.
Muito me agride este olhar que vocês insistem em me dirigir. Até porque nenhum de vocês aqui ficou neste anos de convalescença de mamãe, e até nestes últimos meses de senilidade nenhum de vocês ousou telefonar uma única vez para saber se ela precisava de uma pílula sequer. Agora vem com estes cochichos, estas insinuações tortas, esta frieza ante minha dor.
Sabem de uma coisa: eu odeio todos vocês. Odeio de verdade, o bom Senhor que me perdoe este pecado. Essa ternura fingida que vocês insistem em dramatizar uns para com os outros me enoja. Saibam que ao bom Jesus ninguém engana! E se há culpados na morte de mamãe, além do verme que a atou, culpável é a indiferença que devotaram a ela. Agora, sejam pelo menos cristãos ao buscar dirigir o sentimento de justiça que eu espero que esteja nos corações de vocês na diligência para achar o negro Paulo, aquele bastardo, que tenho certeza foi quem cometeu esta atrocidade com nossa mamãezinha.
Está de bom tamanho? Devo dizer algo mais?
Pois bem, acho que basta. Seria perfeito se a desgraçada não tivesse escrito meu nome em sua mão antes de envenenar-lhe. Infernos!

8 de mai. de 2007

Odisséia de Cinema




Sexta passada eu fui pela primeira vez a uma odisséia de cinema: programa de 3 filmes exibidos a partir de meia noite em cada uma das 3 salas do Espaço Unibanco, na Augusta, com DJ e birita na faixa entre as sessões. Claro que fui sozinho... mas não queria ficar sozinho lá. Fui na intenção de entabular um papo com outros cinéfilos solitários. Erro clássico de cálculo: se eles são cinéfilos solitários é porque preferem ser, logo só conversei com uma menina bem legal que levou cano de um casal de amigos que ia.
A idéia de uma jornada assim é ótema, e faz um baita sucesso: o cinema estava lotado, em plena noitada de Skol Beats!!! Descobri que no cinema de arte do HSBC, na Consolação, rola também, mas com temas nos filmes, diferentemente do Odisséia, que apresenta filmes de arte em pré-estréia.
Sabia do 1º e do último filme, sendo que o 2º é surpresa e só ficamos sabendo na hora que nas duas salas seriam exibidos filmes do ator Caio Blat, um pinçado de um mostra que ocorrera duas semanas antes lá mesmo, e a pré-estréia de Baixio da Bestas, aquele filme que causou o maior rebu no Festival e Brasília no ano passado. Nem preciso dizer pra onde fui... seguem umas resenhazinhas do que vi.
Bises.
P.S.: Depois posto algum coisa sobre a Virada Cultural, que foi muito boa (pra mim).




En Soap


O surpreendente filme dinamarquês me chamou a atenção primeiramente apenas pela referência na sinopse à relação de amizade entre uma mulher recém divorciada e uma transexual. Mas a estrutura, que brinca com o fato de uma das personagens gostar de novelas (Soap operas), é muito feliz em dividir uma história de tensão relacional em “capítulos”... Ilumina assim a linha narrativa que pretende que o espectador alcance. Os atores estão no limiar do dramalhão, mas na medida certa da insanidade das suas personagens... As transições são feitas com tomadas da floração das cerejeiras no subúrbio onde moram as personagens: uma solução bucólica, mas que funciona bem na delimitação do copo d’água onde rola tempestade da história.
Enfim, um daqueles filmões que você acaba encontrando por acaso mas que deixa um residual muito bom... 3 * em 5.


Baixio das Bestas


Olha, eu até hoje não sei se eu gostei de Amarelo Manga, então minha perplexidade parece que vai perdurar com este novo filme do diretor Cláudio Assis.
A crueza da realidade que ele mostra, para alguém como eu que conhece as brenhas do nordeste, soa mui verossímil. A crítica mais recorrente que leio é a de que o filme escracha de uma maneira que não é arte, mas pura provocação. É até plausível o escândalo: ele realmente não poupa ninguém em momento algum. Mas a grande crueza que notei no filme foi a da fotografia, que apresenta um retrato fiel em cores e texturas dos baixios de beira de estrada deste brasilzão afora. Chega-se a sentir calor ao ver aquilo! Neste aspecto técnico, como também na trilha incidental, o filme é muito feliz. A atuação correta de parte do elenco, ouça bem, de PARTE do elenco também corroboram para que a película seja melhor que pior. Como dizem, há uma primeira vez pra tudo nesta vida: foi esta a vez que não gostei da atuação de Matheus Nachtergaele. Infelizmente, ele não está sozinho na parte do elenco que me decepcionou... Cruzes!
Há uma gratuidade em alguns lances do roteiro que te deixam no final com aquela sensação de “pra quê aquilo mesmo?”. A história é coesa, mas o que me soou forçante foi o excesso de personagens, que não acresce na trama, confunde mais que explica, é até recurso, contudo seria um prazer ser poupado deste. Essa é essencialmente a mesma crítica que guardo do Amarelo Manga. Acho inclusive que a forte coloração sexual das duas história está a serviço do roteiro, mesmo nas horas que escolhe te irritar ou te enojar. Definitivamente, é um filme pra iniciados.
Apesar de tudo, recomendo vivamente. É uma ótima experiência de cinema. 4 estrelas em 5.
Ops, não leve crianças! Nem etária nem mentalmente.


Lady Vingança



Último filme da madrugada, eu confesso que tomei um Red Label antes na perspectiva de que se o filme fosse ruim, eu dormiria feliz. Lêdo engano. Desde os créditos iniciais o filme te pega e não te larga mais. O filme completa uma trilogia do coreano Park Chan-wook , iniciada por Mr. Vengeance e alçada à fama pelo segundo filme, Old Boy. Hardcore num estilo que lembra muito Kill Bill, a história da vingança desta mulher envolve de tal maneira que até perdoamos ser tão longa. A teia de relações que cria para dar cabo de sue projeto de vingança é uma delícia de ver: as personagens expõem o que há de mais belo e o que há de mais tosco na sociedade oriental. Creio que é candidatíssimo a ser refilmado pelo cinemão de Hollywood, tal como seu predecessor Old Boy (será que isto pode ser considerado um elogio?).
Note a imensidão de referências pop que o filme traz, de Björk a Casamento de Muriel. Bingo também para a produção de arte, figurinos e montagem. Em suma: vá ver correndo!
Sendo condescendente, dou 4 * em 5.

2 de mai. de 2007

O cheiro de nós



De onde vem este cheiro?
De nós!
Coisifica o outro, faz rir do desumano...
Olhar urbano sobre a loucura que buscamos e onde morreremos.
Além do mérito de fazer uma fotografia amarela ser tão nojenta quanto o ralo!
Filmaço!

24 de abr. de 2007

Passamentos





Quanto tempo leva até ser o que se quer ser?
Quanto será que custa ter o que se quer ter?
Quando será que se é o que se busca ser?
Pra quê?

Onde está o que se quer tanto?
Inteira brilha a lua que alta vive,
Mas e do baixio de nós, que reluz?

Que mais preciso?
Que mais busco?
Quem é?

Uns soam,
Outros troam...
Eu passo.
Olho.
Colho.
Expiro.
Des-conexo.

16 de abr. de 2007

Futurama


A dor é pródiga em encher páginas... Mas o alento da felicidade é inefável, intransponível às letras, apesar dos brilhantes esforços dos poetas. Senti-me assim na última ida a Brasília. Ver os amados, ser amado por eles, foi muito bom... fiz direitinho o exercício de casa, enchendo meu “saquinho de afeto” até a borda. Não sem um travo intraduzível, um sei-lá-quê que me deixou um tanto quanto blasé, mas a sensação gostosa de sentir-se querido foi reconfortante.
Mas que tesouro fazer disso? Há tanto a fazer, a ser, a vencer... Trabalho, dieta, academia, terapia, há que se começar por alguma coisa... Mas sinto que comecei bem. A jornada ao centro do eu, longe de misantropia autofágica, tem sido uma bússola. Ao perceber que os mundos de ontem, de hoje e do desejado amanhã estão em descompasso, como redimensionar-me para alçar vôo rumo ao que vem? A tentativa de manter trilhos seguros nesta jornada é árdua, com vitórias e derrotas... Coisas fortes e certas desmoronaram, e percepções sutis se confirmaram cristalinamente. O que sei agora é o que sou. Plagiando Paulo, lançando-me ao que vem...
Sorte do biscoito chinês:
“O que tem que ser seu
sempre voltará a você.”

Bises

13 de abr. de 2007

Aos amigos...



Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranquilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se trasfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

Vinicius de Moraes

Eu amo vcs!!!

4 de abr. de 2007

Páscoa!

A agência central de páscoa comunica que a entrega de presentes nesta páscoa sofrerá um atraso.
Houve um problema com o entregador

28 de mar. de 2007

Clarice Lispector

Esqueça a Hora da Estrela...
Por favor, eu te imploro,
leia " A Paixão segundo G.H."!

Sete razões para ler Clarice

1. Sua literatura é instigante.
Aliás, a própria Clarice afirmava que escrevia para saber o que estava, na verdade, querendo dizer. E isso ela passa para o seu leitor. Através dessas tentativas ou desses ensaios de escrever, o leitor deixa-se levar por uma espécie de exercício de experimentação da linguagem que o joga, sem garantia, no inusitado. Daí uma segunda razão.

2. Sua literatura é perigosa.
Isto é, o leitor a certa altura se surpreende em estado de risco, ou, se quiserem, de crise, já atado incondicionalmente a uma outra realidade, que é, ao mesmo tempo, sedutoramente encantadora e terrivelmente repulsiva. Daí uma terceira razão.

3. Sua literatura é ameaçadora.
A qualquer momento, sem aviso, pode-se estar diante da truculência dessa coisa, que paradoxalmente une, num só momento, o mais abjeto e o mais sublime. Assim se manifesta a condição humana - soma de virtudes e defeitos. Daí uma quarta razão.

4. Sua literatura é desconfortável.
Pois como lidar com o lado abjeto sem nojo e repulsa? Essa marca, de feição existencialista já tão discutida pela crítica, implica na corajosa vontade de explorar a própria intimidade, mas exaustivamente, até o seu núcleo ou seu âmago. Daí uma quinta razão.

5. Sua literatura é desmitificadora.
Ao mirar de frente o objeto, desvestindo-o dos invólucros de sentido impostos pela cultura, derrubam-se valores, princípios, normas, regras, costumes cristalizados. Daí uma sexta razão.

6. Sua literatura é transgressora.
Não é gratuito haver tantos crimes nessa literatura que inclui também, entre outros gêneros, o policial. Desmontando o instituído é que se vive a própria selvageria. Se a realidade não deixa, o imaginário ficcional salva. E o leitor encontra reforço às suas próprias perversões. Não se passa imune a tais apelos, do mais requintado sadismo ou masoquismo. Mas neste percurso é que se desvenda a dimensão humana do outro. Daí a sétima e última razão.

7. Sua literatura é social.
Por um caminho supostamente íntimo - enxergar o outro de si mesmo - essa literatura enxerga o outro socialmente configurado - o miserável, o pobre, o excluído - que precisa escapar de tal condição, pelo grito indignado.

22 de mar. de 2007

Au au!!

Esse é o Tchow, um chow-chow de 5 anos, meio autista, mas gente fina, acompanhado do seu pai, o André, no Ibirapuera.

28 de fev. de 2007


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

23 de fev. de 2007

Por estas noites e dias...

Bem, muito tempo sem escrever, muita coisa pra atualizar da minha odisséia na paulicéia desvairada!!! Conforme prometido antes da jornada, resenharei as coisas legais que vir por aqui... Por ordem:


A Pedra do Reino


Um dos desejos paulistanos satisfeitos: há anos queria ver uma montagem do Antunes, o legendário. Pois bem, fui, vi e amei... teatro de verdade, daqueles de marcar a vida. A Companhia Macunaíma e o CPT (Centro de Pesquisas Teatrais, dirigido pelo Antunes) encenam esta obra de Ariano Suassuna numa montagem moderna e envolvente, brasileira e eterna. A verborragia de Suassuna encontra um teatro flexível e amoldado à sua lírica sertaneja, de modo a contar a história de maneira a fazer sentir a leitura do texto do mestre.
O próprio Ariano derrete-se: "Se dissessem a mim: -Toda a sua obra vai ser destruída, você só tem o direito de fazer escapar uma'', eu faria escapar A Pedra do Reino, porque foi onde eu me expressei de maneira menos incompleta. De tudo que escrevi, A Pedra do Reino é o que mais expressa o meu universo interior". A história de Dom Diniz, pobre bibliotecário suscedâneo da verdadeira realeza brasileira e mestiça leva ao calor da Paraíba da época de João Pessoa, do Estado Novo de Getúlio, do romantismo do início do século passado nos rincões do interior e até das pretéritas ilusões sebastianistas. A singeleza das personagens, a força da roda da história, a brasilidade enfim, tudo faz deste espetáculo um verdadeiro Memorial, tal qual o título da obra sela.
Recomendo vivamente aos viajantes, e aos amigos de Brasília boas novas: não resisti perguntar sobre a excursão, e descobri que irá à Capital. Sem medo: Antunes faz teatro pro povo, preço populares garantidos.

Borat
(ou Ensaio sobre a vergonha)


Genial. Ri de doer, de verdade: passei mal na sala... O falso documentário do segundo maior repórter da gloriosa nação do Cazaquistão nos U.S and A. foi um dos filmes mais hilários que já vi em toda minha vida. Exagero? Não: o humor é daqueles que me deliciam. Por exemplo, odiei todos aqueles Todo mundo em pânico... Sarcasmo, humor negro, vexame, tudo o que há de mais politicamente incorreto num filme você encontrará em Borat. Mas obviamente isto não basta para chamá-lo de genial. O que torna este filme delicioso é a carga de ironia sobre o american way of life que ele certeiramente destila. Cohen, o humorista judeu-britânico por trás do personagem, consegue o improvável: faz os americanos médios reconhecerem sua profunda estupidez ao verem-se. Quero crer que esta comédia rica em inteligência fará mais pensantes questionadores na terra dos sonhos que o fraco Crash, oscarizado ano passado.
Recomendação: vão ver com os amigos mais sarcásticos disponíveis na praça... Se for com gente burra, você vai passar raiva.
Nota: cognomeei o filme de Ensaio sobre a vergonha parafraseando Saramago sem dó nem humildade porque seu humor reside basicamente nisto: expôr uma vergonha até as raias do intolerável, do risível. E este irrefreável! Delícia de filme!

A Rainha
(ou A Majestade de uma real Atriz)


Confesso que fui sem pretensão alguma ver este filme. Tinha lido umas coisas desfavoráveis acerca, tais como: “Parece filme da HBO!” (parece mesmo), “A imobilidade das locações reduz o filme” (mentira, está a serviço dele), “É uma invencionice pra redimir a Rainha...” (humpf!). Situei-me logo na primeira tomada: ao olhar para os espectadores, Ellen Mirren (Elizabeth II) diz tudo com o olhar, como que diz “Sou a Inglaterra, quem sois?”, altiva, não arrogante; majestosa no personagem e na interpretação.
O pudor do diretor (inglês) ao filmar sua soberana num dos períodos mais conturbados de seu reinado, a morte de Lady Di, diz muito do poder e imutabilidade da instituição Família Real sobre seus súditos. O filme é impiedoso com todos, até com a finada, mas respeita até as lágrimas da protagonista, não mostradas numa das seqüências mais belas que já vi. Tony Blair, Charles, o Príncipe consorte, a morta: todos são coadjuvantes que levantam a bola que a magnífica Mirren corta tão bem neste longa que é uma ode à arte de interpretar. A contemporaneidade seria um risco, mas o roteiro bem amarrado, a fotografia impecável, atuações certeiras e, claro, um gênio na direção, garantem um filme extremamente elegante ao versar sobre uma das mais atrozes cicatrizes inglesas, a morte da Princesa de Gales.
Este recomendo sem dó: vão ver mesmo! Curioso: depois dele não consigo mais lembrar do rosto verdadeiro da Rainha! Só me vem a fabulosa atriz em mente...

DreamGirls

O oscarizável nunca caminhou tão de perto com o dúbio.
Explico: a película tem suas grandes qualidades, mas pensa comigo, as indicações puramente técnicas que recebeu para o Oscar já denunciam uma frouxidão que chega a incomodar até o cinéfilo mais paciente. Musical de sucesso na Broadway transposto pra telona, exibe nas suas longas quase 3 horas a história das Supremes, o grupo que lançou Diana Ross. Com problemas sérios de corte e edição, denotados pelo ótimo Pablo Villaça (http://www.cinemaemcena.com.br/) em sua imperdível resenha (como todas as outras, recomendo), DreamGirls cansa quem não é ardoroso fã de soul music, confunde os mais atentos e aporrinha quem queria ver a história como ela é (ou foi)... Rende-se ao final feliz... Eca!
Mas sempre há um mas...
Kate Hudson.
Candidata perdedora do American Idol, a bunita na sua primeira atuação conquistou a indicação para Melhor Atriz Coadjuvante. Poupo os comentários resumindo-os: se você gosta de cantoras que são forte na interpretação das canções (Ave Bethânia!), vá ver correndo!!! Ela garante delícias insuspeitas neste festival de erros cinematográficos.
Sweet Charity
Baseado nas Noites de Cabíria do Fellinni, o musical de Cláudia Raia, magistralmente dirigido por Charles Müller e Cláudio Botelho enche os olhos de qualquer um. A produção é impecável e até surpreendente aos olhos provincianos deste candango: figurinos, cenários, acompanhamento de quase big band, tudo de mais fino... Contudo, sempre há um contudo...
O enredo de Broadway é formatado demais pra um expectador mais exigente em termos dramáticos, e um espetáculo feito para uma diva carrega em si as limitações de sua estrela. Raia é ótima atriz, cativante mesmo, mas cantar realmente não é forte da mulé. Suprida devidamente nesta lacuna pelo elenco de apoio, é quase embaçada no seu reinado pelo brilhante Marcelo Médici (o gago Fladson, lembra?), que de tão bom só aparece no último terço do musical para não receber o maior cachê da montagem...
Recomendação? Vá como eu, se ganhar o convite!!! Porque se aqui gira em torno dos preços normais de Brasília, quando chegar por lá será preço de NY mesmo... Se não for mesmo, vale saber a frase fatal do texto, aquela que me arrebatou: ao desistir de casar com Charity, Oscar sentencia: “Case comigo e vou destruir você!”. “Tá bom pra mim”, ela responde, “Não sou lá grande coisa mesmo”... O ardor de uma alma que busca durante toda sua vida alguém para amar sobrepuja até o mais que devido desejo de ser amado... Belo, poético, puramente fellinniano...

Até mais! E mais, e mais, e mais!!!

Bises

13 de fev. de 2007

Vertigo




Essa sensação, essa brisa... Fria, no rosto: não canso disso. Meio que fetiche, a cada cidade que visito procuro tê-la novamente: Corcovado, Torre, Prédio do Banespa, Rampa de vôo livre, até Arpoador. Não é à toa que escolho os apartamentos mais altos para morar: se um dia me vence a vontade, alço vôo... Mas sou um pré-suicida frustrado, a porra da esperança sempre se apresenta. Por mais que eu tente fugir dela, está lá, me atazanando na hora do passo.

2 de fev. de 2007

Espelho, espelho meu...


O maior espetáculo da terra é o meu eu.
Estou descobrindo isto: o movimento íntimo do humor é melhor que qualquer entretenimento externo. É acordar em torpor, imaginando um dia horrível, e tomar um belo banho morno que revigora até moribundo, e sair do banho perfumando até a alma na expectativa do novo e urgente viver.
São Paulo tem me surpreendido neste aspecto. O silêncio da casa nova, como casulo de seda nova, meio que range, meio que desinstala. A falta das muletas familiares de Brasília tem me lançado na boca de cena de meu teatro romano interior: tragédias gregas, épicos bélicos, romances idílicos, até teatro-realidade se descortinam na cena do eu. E, obviamente, o grotesco e o bufo não faltam no programa.
Há duas semanas fui assistir à peça Euetheía, [do grego, loucura], baseado no Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam. O gozado foi que tinha uma expectativa boa em relação à peça, supondo eu que conheceria mais do famoso texto... Mas bah, qual nada, o espetáculo fez jus ao título: através da in-conexão do personagem, fui levado à experiência insã, ao devaneio simples e instintivo, dos gritinhos histéricos e cômicos aos grunhidos mais doloridos que se possa emitir, naquela dor de se saber eternamente só na existência, mesmo que a idéia de saber-se contradiga insanidade (será?)... Só, em meio ao palco, via-me naquele ator sério, de pesquisa e tudo mais, que decide falsear a loucura, apresentá-la aos outros, mostrá-la, exibí-la, como que dizendo: “Ei, isso é loucura, viu? Com L maiúsculo!”; mas que no fundo se compraz em exteriorizar o que há anos carrega, comprazendo-se na agressão que isso representa, mas disfarçando-o com nome de arte. Mas toda arte verdadeira não é isso? Ops, anacolutia...
O que colho destas reflexões? Que a intuição brotada na faculdade de Direito de que eu preciso olhar o mundo pelas lentes da Filosofia é certeira... E olha que legal: minha quarentena acadêmica de um semestre coincide com a conclusão das obras de uma faculdade de filosofia que fica na esquina da minha casa! Coincidência, não? Rsrsrsrsrs...
Outra: a provocação da arte só me faz bem... Desde a terapia, pois creio tanto nisso que faço psicodrama, até minha compulsão por cinema/teatro/música/espetáculo, um dos principais vetores da minha escolha por esta cidade... E, apesar do descompasso do meu contra-cheque com as bilheterias, estou me deliciando!!!
Fazer desse cotidiano tesouro é desafio... A síntese, para mim, é tão controvertida quanto estatística de televisão: uns dizem que sou um primor, outros vêem que sou péssimo... Aí já vai uma dica... Rsrsrsrs...
Bises...

24 de jan. de 2007

Mais estranho que nós




Acabei de ver “Mais estranho que a ficção”. Impossível fugir à reflexão que me assola desde a saída da sala: Somos donos de nós? Quanto o somos, se é que o somos? Uma comédia pra gente que pensa, a história de Harold desenrola-se num crescendo que inevitavelmente põe-nos diante de um questionamento desses... Impertinente para uns, pura arte para outros, inadiável para todos: pensar-se assim é pensar na completude da vida, da seqüência (nem sempre) lógica de atos que constituem nossa história, e na inevitabilidade do “The End”, apesar de todas as fracassadas tentativas de seqüência que uns pretendem ter... Morrer é digitar o inexorável*: o ponto final mais negro que se possa ter. Sem prescindir dos papos de céu, pois recebe-se na colheita o que se semeia no vale de lágrimas, assim reza o catecismo. Para os agnósticos, que dispensem a frase anterior, e deleitem-se com sua vitória metafísica: a não-transcendência... (mas isso já é tema pra outro post. Anacolutia!) Não pretendo aqui fazer crítica de cinema, mas tecer meus viperinos comentários, mordazes mas assertivos. Se ouso tocar em temas técnicos não o faço como expert, que não sou, mas em termos que qualquer filho de Caim pode entender.
O filme é sem dúvida remetente à outros títulos, tais como Show de Trumman, Brilho Eterno..., Efeito Borboleta, Adaptação e a primeira metade de Amélie Poulain. Mas a direção segura, um roteiro que não se perde e ainda consegue bons momentos, e atuações precisas (destaques para Will Ferrell, que sempre odiei e Emma Thompson que sempre amei; e negativo para uma Queen Latifah apagada), fazem deste filme do cinemão uma boa pedida para um cineminha de semana, ou um DVD num dia que se queira pensar. Não vou queimar o roteiro, só queria comentar o seguinte: a interrelação entre literatura e vida, que é o mote deste filme, é algo que me atinge na boca do estômago, e nos últimos meses parece que é com um gancho de direita bem colocado. A possibilidade que a escritora vive, de ver sua cria diante de si, nada mais é que o desejo de ver-se diferentemente, e estupefaz a constatação que a cria é muito mais ela mesma que todo esforço que fez para esconder-se. E assim somos com as crias que parimos na vida, em especial os filhos pródigos. Por cria entenda emoções, relacionamentos, atitudes, posturas... A fotografia meio plastificada endossa a sensação de ficção, mas a esperteza de não diferencia-la nas seqüências da autora faz pensar na unidade que citei. Atenção para os coadjuvantes: atuação brilhante até do relógio.

Finalizo com uma página do Eduardo Galeano, nos seu simpático Livro dos Abraços**:

Um homem dos vinhedos falou, em agonia, junto ao ouvido de Marcela. Antes de
morrer, revelou a ela o segredo: - A uva – sussurrou – é feita de
vinho. Marcela Pérez-Silva me contou isso, e eu pensei: se a uva é feita de
vinho, talvez a gente seja as palavras que contam o que a gente é.

Bises.


* : Putz, isso dá um epitáfio legal pra operador de telemarketing...
** : Special thanks for Kessiane, Aline & Tati.

18 de jan. de 2007

Solidão povoada


A solidão povoada de João da Cruz faz-se sensível para mim estes dias: meio chumbrega esta comparação, mas vale. Gosto da decisão que tomei, do novo rumo, mas agora a cicatriz do umbigo começa a cicatrizar e doer um tantinho. A família, os irmãos, fazem uma falta danada! Mas dói mesmo é a falta dos amigos... Ainda não é aquela dor surda (viva o Prozac!), mas sinto falta de um punhado de gente: Thaís, Pedro, Zé Leo, Otalívio, Mardem, Davi, Núbia, Jean, Yone, Magna, Abel, Sarah, Wagner, Gonzo, Fidel, Romulo, Jailton, Gisele, Marcos, Cláudio, Andréia, Iran, Júlio, Leo, Aline, Tatiana, Betinho, Michelle, Paulo (que nem conheço ainda!), Marina, Carlos, Flávia, Fabi, Kinna, tantos, tantas... (galera, não necessariamente nessa ordem de nomes, é aleatória!)
Esta semana galguei algumas vitórias: fui e voltei de ônibus pro trabalho sem me perder, fui ao cinema sozinho pela primeira vez (e o bicho-papão nem me pegou!), lavei louça, sorri para as pessoas (pasme!), até organizei minhas roupas! Mas ainda é cedo para outras: continuo comendo junkfood, falando sozinho, nem sei onde tem academia por aqui (não obstante já ter ido a uns 7 restaurantes maravilhosos!), e sim, continuo achando que meu umbigo é o centro da Pangéia. Aliás, que umbigo mais lindo, num abdômen tão amplo e bronzeado!
Como estou sem net em casa, as atualizações do blog serão mais escassas... Mas sempre que der, acessem para saber da minha vida glamourosa na capital da South América.
Bises.
P.S.: Comentários são bem-vindos, lidos e pranteados nas madrugadas frias.

Pessoal

Pour Aline.

Ela não sabia bem como lidar com aquilo. Há pouco, sua única preocupação seria o que jantar, que roupa vestir amanhã... e agora? Como afrontar esta situação? Na solidão de seu fim de noite, imperceptivelmente ela foi levada até ali... Seu coche? Uma taça de um fresco branco chileno, nada excepcional, apropriado para uma terça à noite. Após o banho morno, aconchegada na sua cama de anos, foi traída! Raptada, e agora vitalmente torturada por ele, que tão convincentemente a tapeou com sua aparência frágil, palavreado rápido, simples, até palatável à primeira vista. Mas àquela altura, já completamente submetida a ele, percebia seu engano. Estava condenada a responder a tudo quanto ele lhe propunha, suportando a altiva indiferença de suas resposta para ele, mas que determinariam o destino dela mesma. Incansável, infatigável, ele prosseguia impingir-lhe aquela agonia d’alma, não sem a aquiescência mal disfarçada com que ela lhe sorvia as palavras. Estava começado o jogo: sem querer sair dali, via-se forçada por um não-sei-quê seu mesmo a prosseguir, sem atentar para a própria sanidade. Ele, impassível, prosseguia a golpeá-la, ora dolorosa, ora calidamente: era seu mister, sua forma de perpetuar-se na vida. Ela consentia nisso, mesmo afligida, mas interiormente sacudida como nunca antes, começara a ver-se naquele jogo, e o que via a surpreendia cada vez mais, impedindo qualquer tentativa de fim sem o êxtase que ela entrevia.
E realmente surpreendida entre atos ela refletia naquele portuguezinho franzino que a enlevava agora. Franzino, macambúzio mesmo, quase feio... Mas como ele lhe dissera, quisera ele parecer-se por fora como era interiormente, sentimento que por anos era indizível nela mesma. Identificação? Talvez, mas o sentimento de iluminação era maior, ver-se sem véus como ele a via, perceber-se como ele se percebia, era mais forte que o incômodo de cega em primeira aurora. Mesmo sentido o corpo já condoer-se neste jogo, era-lhe impossível parar naquele momento, mesmo com a hora avançando a madrugada, que ela sabia cobraria seu preço no dia seguinte.
Então, subitamente, ele a deixa assim, sem respostas. Um grunhido incalável lhe atravessa na noite já findando, uma convulsão sem precedentes a toma por inteiro, e nem cama nem vinho podem agora levá-la ao destino primeiro. Vencida, pôe-se de pé para inquirir o porquê disso logo agora. No pequeno apartamento, suas perguntas não encontram respostas; sua voz só encontra a gata sonolenta sob a mesa, que contempla a dona doidivana que vagueia antes da alba, sem noção de como voltar a si. Maldita a hora em que lhe cedi aos encantos singelos, a sua fala mansa, cantada, profunda, gutural mesmo... E agora? Que faço? Dormir é-me impossível. Sair? Onde iria? Beber? Mais embriagada não consigo. Mas como calar o rumor que aquela voz ainda reverbera em si? Num ímpeto, tomou-o novamente, e lançado-o ao fundo do fundo de uma gaveta intocada, deixou-o lá, na esperança que a distância da vista minorasse seu tormento. E prometeu para si, ao ouvir seu despertador que trinava o CD favorito da Peyroux, que jamais compraria outro pocket book de Fernando Pessoa.

3 de jan. de 2007

2007, de Porto Seguro!




Feliz Anos Novos!


For ever and ever!


Estou na praia, torrado e já descascando... Porto Seguro, BA.


Cidadezinha maneira, mas bem zinha... Ahuahauahua


Imagina que TODOS os lugares em que fomos comer, alguma coisa que pedimos já tinha acabado! Ahauahau


Estou com minha quase ex comunidade, a Rebento Novo, e com Palm's.


Deixa eu digerir esse acarajé e depois escrevo mais!


Axé pra todos!