29 de mai. de 2007

Psicodrama



Cada vez mais adoro fazer terapia.

23 de mai. de 2007

Hilda Hilst

Cantares de Perda e Predileção
de Hilda Hilst

Eu amo Aquele que caminha
Antes do meu passo
É Deus e resiste.

Eu amo a minha morada
A Terra triste.
É sofrida e finita
E sobrevive.

Eu amo o Homem-luz
Que há em mim.
É poeira e paixão
E acredita.
Amo-te, meu ódio-amor
Animal-Vida.
És caça e perseguidor
E recriaste a Poesia
Na minha Casa.
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Descobri Hilda Hilst por acaso nestes últimos dias e estou extasiado...
Que repleta, que completa, que definitiva... Até bíblica!

Não parei de me surpreender com a poesia dela desde então.
Recomendo vivamente: areje sua alma!
Bises
!

10 de mai. de 2007

Essa ternura fingida...

Eu nego. Nunca admitiria tal coisa. Veja só! Pensar que em sã consciência eu ataria minha própria mãe e sairia feliz para a vida, deixando-a lá, à mercê do bem querer divino?
Loucos é o que vocês todos são, todos vocês!
Não conseguem nem imaginar a tortura que me acomete a cada vez que relembro a minha chegada em casa, quando achei mamãe naquele estado, naquele aspecto. Quando chamava por ela sem resposta, já estranhando a casa sem movimentos, perpassou-me um calafrio de pressentimento ruim, que na mesma hora, como todos vocês sabem ser meu costume, comecei a apegar-me à Virgem... Não vi nenhuma das negrinhas da casa, vocês todos fora, só o olhar de papai a se compadecer de mim na pintura da sala. Fui subindo e quando entrei em seu quarto e a vi por detrás, os gatos a escalar-lhe as espáduas, as mãos, oh Senhor Piedoso, as mãos! Desculpem-me. Mas é que estavam rictas, cinzentas, as unhas lascadas de arranhar o encosto de jacarandá, os pulsos roxos sob as cordas. Desfaleci, mas amparada pela Virgem contive-me e corri a gritar-lhe: Mamãe! Mamãe! Sabem todos que só a deixei depois que Everardo chegou. O bom cristão ajudou-me a colocá-la em seu leito enquanto as negrinhas correram a chamar Doutor Serrado e a vocês.
Muito me agride este olhar que vocês insistem em me dirigir. Até porque nenhum de vocês aqui ficou neste anos de convalescença de mamãe, e até nestes últimos meses de senilidade nenhum de vocês ousou telefonar uma única vez para saber se ela precisava de uma pílula sequer. Agora vem com estes cochichos, estas insinuações tortas, esta frieza ante minha dor.
Sabem de uma coisa: eu odeio todos vocês. Odeio de verdade, o bom Senhor que me perdoe este pecado. Essa ternura fingida que vocês insistem em dramatizar uns para com os outros me enoja. Saibam que ao bom Jesus ninguém engana! E se há culpados na morte de mamãe, além do verme que a atou, culpável é a indiferença que devotaram a ela. Agora, sejam pelo menos cristãos ao buscar dirigir o sentimento de justiça que eu espero que esteja nos corações de vocês na diligência para achar o negro Paulo, aquele bastardo, que tenho certeza foi quem cometeu esta atrocidade com nossa mamãezinha.
Está de bom tamanho? Devo dizer algo mais?
Pois bem, acho que basta. Seria perfeito se a desgraçada não tivesse escrito meu nome em sua mão antes de envenenar-lhe. Infernos!

8 de mai. de 2007

Odisséia de Cinema




Sexta passada eu fui pela primeira vez a uma odisséia de cinema: programa de 3 filmes exibidos a partir de meia noite em cada uma das 3 salas do Espaço Unibanco, na Augusta, com DJ e birita na faixa entre as sessões. Claro que fui sozinho... mas não queria ficar sozinho lá. Fui na intenção de entabular um papo com outros cinéfilos solitários. Erro clássico de cálculo: se eles são cinéfilos solitários é porque preferem ser, logo só conversei com uma menina bem legal que levou cano de um casal de amigos que ia.
A idéia de uma jornada assim é ótema, e faz um baita sucesso: o cinema estava lotado, em plena noitada de Skol Beats!!! Descobri que no cinema de arte do HSBC, na Consolação, rola também, mas com temas nos filmes, diferentemente do Odisséia, que apresenta filmes de arte em pré-estréia.
Sabia do 1º e do último filme, sendo que o 2º é surpresa e só ficamos sabendo na hora que nas duas salas seriam exibidos filmes do ator Caio Blat, um pinçado de um mostra que ocorrera duas semanas antes lá mesmo, e a pré-estréia de Baixio da Bestas, aquele filme que causou o maior rebu no Festival e Brasília no ano passado. Nem preciso dizer pra onde fui... seguem umas resenhazinhas do que vi.
Bises.
P.S.: Depois posto algum coisa sobre a Virada Cultural, que foi muito boa (pra mim).




En Soap


O surpreendente filme dinamarquês me chamou a atenção primeiramente apenas pela referência na sinopse à relação de amizade entre uma mulher recém divorciada e uma transexual. Mas a estrutura, que brinca com o fato de uma das personagens gostar de novelas (Soap operas), é muito feliz em dividir uma história de tensão relacional em “capítulos”... Ilumina assim a linha narrativa que pretende que o espectador alcance. Os atores estão no limiar do dramalhão, mas na medida certa da insanidade das suas personagens... As transições são feitas com tomadas da floração das cerejeiras no subúrbio onde moram as personagens: uma solução bucólica, mas que funciona bem na delimitação do copo d’água onde rola tempestade da história.
Enfim, um daqueles filmões que você acaba encontrando por acaso mas que deixa um residual muito bom... 3 * em 5.


Baixio das Bestas


Olha, eu até hoje não sei se eu gostei de Amarelo Manga, então minha perplexidade parece que vai perdurar com este novo filme do diretor Cláudio Assis.
A crueza da realidade que ele mostra, para alguém como eu que conhece as brenhas do nordeste, soa mui verossímil. A crítica mais recorrente que leio é a de que o filme escracha de uma maneira que não é arte, mas pura provocação. É até plausível o escândalo: ele realmente não poupa ninguém em momento algum. Mas a grande crueza que notei no filme foi a da fotografia, que apresenta um retrato fiel em cores e texturas dos baixios de beira de estrada deste brasilzão afora. Chega-se a sentir calor ao ver aquilo! Neste aspecto técnico, como também na trilha incidental, o filme é muito feliz. A atuação correta de parte do elenco, ouça bem, de PARTE do elenco também corroboram para que a película seja melhor que pior. Como dizem, há uma primeira vez pra tudo nesta vida: foi esta a vez que não gostei da atuação de Matheus Nachtergaele. Infelizmente, ele não está sozinho na parte do elenco que me decepcionou... Cruzes!
Há uma gratuidade em alguns lances do roteiro que te deixam no final com aquela sensação de “pra quê aquilo mesmo?”. A história é coesa, mas o que me soou forçante foi o excesso de personagens, que não acresce na trama, confunde mais que explica, é até recurso, contudo seria um prazer ser poupado deste. Essa é essencialmente a mesma crítica que guardo do Amarelo Manga. Acho inclusive que a forte coloração sexual das duas história está a serviço do roteiro, mesmo nas horas que escolhe te irritar ou te enojar. Definitivamente, é um filme pra iniciados.
Apesar de tudo, recomendo vivamente. É uma ótima experiência de cinema. 4 estrelas em 5.
Ops, não leve crianças! Nem etária nem mentalmente.


Lady Vingança



Último filme da madrugada, eu confesso que tomei um Red Label antes na perspectiva de que se o filme fosse ruim, eu dormiria feliz. Lêdo engano. Desde os créditos iniciais o filme te pega e não te larga mais. O filme completa uma trilogia do coreano Park Chan-wook , iniciada por Mr. Vengeance e alçada à fama pelo segundo filme, Old Boy. Hardcore num estilo que lembra muito Kill Bill, a história da vingança desta mulher envolve de tal maneira que até perdoamos ser tão longa. A teia de relações que cria para dar cabo de sue projeto de vingança é uma delícia de ver: as personagens expõem o que há de mais belo e o que há de mais tosco na sociedade oriental. Creio que é candidatíssimo a ser refilmado pelo cinemão de Hollywood, tal como seu predecessor Old Boy (será que isto pode ser considerado um elogio?).
Note a imensidão de referências pop que o filme traz, de Björk a Casamento de Muriel. Bingo também para a produção de arte, figurinos e montagem. Em suma: vá ver correndo!
Sendo condescendente, dou 4 * em 5.

2 de mai. de 2007

O cheiro de nós



De onde vem este cheiro?
De nós!
Coisifica o outro, faz rir do desumano...
Olhar urbano sobre a loucura que buscamos e onde morreremos.
Além do mérito de fazer uma fotografia amarela ser tão nojenta quanto o ralo!
Filmaço!