23 de fev. de 2007

Borat
(ou Ensaio sobre a vergonha)


Genial. Ri de doer, de verdade: passei mal na sala... O falso documentário do segundo maior repórter da gloriosa nação do Cazaquistão nos U.S and A. foi um dos filmes mais hilários que já vi em toda minha vida. Exagero? Não: o humor é daqueles que me deliciam. Por exemplo, odiei todos aqueles Todo mundo em pânico... Sarcasmo, humor negro, vexame, tudo o que há de mais politicamente incorreto num filme você encontrará em Borat. Mas obviamente isto não basta para chamá-lo de genial. O que torna este filme delicioso é a carga de ironia sobre o american way of life que ele certeiramente destila. Cohen, o humorista judeu-britânico por trás do personagem, consegue o improvável: faz os americanos médios reconhecerem sua profunda estupidez ao verem-se. Quero crer que esta comédia rica em inteligência fará mais pensantes questionadores na terra dos sonhos que o fraco Crash, oscarizado ano passado.
Recomendação: vão ver com os amigos mais sarcásticos disponíveis na praça... Se for com gente burra, você vai passar raiva.
Nota: cognomeei o filme de Ensaio sobre a vergonha parafraseando Saramago sem dó nem humildade porque seu humor reside basicamente nisto: expôr uma vergonha até as raias do intolerável, do risível. E este irrefreável! Delícia de filme!