A Pedra do Reino
Um dos desejos paulistanos satisfeitos: há anos queria ver uma montagem do Antunes, o legendário. Pois bem, fui, vi e amei... teatro de verdade, daqueles de marcar a vida. A Companhia Macunaíma e o CPT (Centro de Pesquisas Teatrais, dirigido pelo Antunes) encenam esta obra de Ariano Suassuna numa montagem moderna e envolvente, brasileira e eterna. A verborragia de Suassuna encontra um teatro flexível e amoldado à sua lírica sertaneja, de modo a contar a história de maneira a fazer sentir a leitura do texto do mestre.
O próprio Ariano derrete-se: "Se dissessem a mim: -Toda a sua obra vai ser destruída, você só tem o direito de fazer escapar uma'', eu faria escapar A Pedra do Reino, porque foi onde eu me expressei de maneira menos incompleta. De tudo que escrevi, A Pedra do Reino é o que mais expressa o meu universo interior". A história de Dom Diniz, pobre bibliotecário suscedâneo da verdadeira realeza brasileira e mestiça leva ao calor da Paraíba da época de João Pessoa, do Estado Novo de Getúlio, do romantismo do início do século passado nos rincões do interior e até das pretéritas ilusões sebastianistas. A singeleza das personagens, a força da roda da história, a brasilidade enfim, tudo faz deste espetáculo um verdadeiro Memorial, tal qual o título da obra sela.
Recomendo vivamente aos viajantes, e aos amigos de Brasília boas novas: não resisti perguntar sobre a excursão, e descobri que irá à Capital. Sem medo: Antunes faz teatro pro povo, preço populares garantidos.
