A Rainha
(ou A Majestade de uma real Atriz)
(ou A Majestade de uma real Atriz)
Confesso que fui sem pretensão alguma ver este filme. Tinha lido umas coisas desfavoráveis acerca, tais como: “Parece filme da HBO!” (parece mesmo), “A imobilidade das locações reduz o filme” (mentira, está a serviço dele), “É uma invencionice pra redimir a Rainha...” (humpf!). Situei-me logo na primeira tomada: ao olhar para os espectadores, Ellen Mirren (Elizabeth II) diz tudo com o olhar, como que diz “Sou a Inglaterra, quem sois?”, altiva, não arrogante; majestosa no personagem e na interpretação.
O pudor do diretor (inglês) ao filmar sua soberana num dos períodos mais conturbados de seu reinado, a morte de Lady Di, diz muito do poder e imutabilidade da instituição Família Real sobre seus súditos. O filme é impiedoso com todos, até com a finada, mas respeita até as lágrimas da protagonista, não mostradas numa das seqüências mais belas que já vi. Tony Blair, Charles, o Príncipe consorte, a morta: todos são coadjuvantes que levantam a bola que a magnífica Mirren corta tão bem neste longa que é uma ode à arte de interpretar. A contemporaneidade seria um risco, mas o roteiro bem amarrado, a fotografia impecável, atuações certeiras e, claro, um gênio na direção, garantem um filme extremamente elegante ao versar sobre uma das mais atrozes cicatrizes inglesas, a morte da Princesa de Gales.
Este recomendo sem dó: vão ver mesmo! Curioso: depois dele não consigo mais lembrar do rosto verdadeiro da Rainha! Só me vem a fabulosa atriz em mente...
